Um olhar crítico sobre a baixada santísta e o mundo

14.9.05

Poema: Satélite





Fim de tarde.

No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.

Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:Coisa em si,
- Satélite.
Manuel Bandeira
**
Esse é um dos meus poemas favoritos, por que o poeta Manuel Bandeira retrata a Lua de maneira naturalísta (como os cientístas gostam..:-) e "desmitificada, despojada do velho segredo de melancolia"...realmente muito bonito.
Para quem não conhecia apreveite. Para quem já conhecia vale a pena reler.