Um olhar crítico sobre a baixada santísta e o mundo

5.7.06

Religiosos contra vacina

Há duas semanas a Food and Drug Administration (FDA), órgão que regulamenta o comercialização de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, deu sinal verde ao uso de uma vacina que previne o HPV, um vírus sexualmente transmissível que possui mais de 100 subtipos, alguns deles causadores do câncer de colo de útero. A partir de julho esta vacina estará disponível nos Estados Unidos. A vacina deve ser liberada no Brasil até o fim deste ano.

Ótima notícia, não é mesmo? Não para algumas grupos religiosos dos Estados Unidos. Esses grupos religisos são contra (isso mesmo, contra!) a vacina porque o novo medicamento vai “gerar a promiscuidade” entre as pessoas. Para eles “pode-se previnir a doença não fazendo sexo antes do casamento”.

Esse argumento puritanísta é tão inteligente quanto achar que para previnir mortes de carro e avião as pessoas devem parar de andar de carro e de avião! Para esses grupos religiosos é preverível viver num mundo onde 300 mil mulheres morrem por ano de câncer do colo do útero do que viver numa sociedade “promíscua”. Eu, honestamente, prefiro um mundo “promíscuo” porém saudável.

Segundo a chefe do Departamento de Saúde Materna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Sílvia Bonfim Hyppólito, cerca de 30% das mulheres entre 15 e 60 anos apresentam o HPV. ''Essa é apenas a ponta do iceberg. Muita gente é portador e não sabe'', destaca. O vírus vive na pele e nas mucosas genitais tais como vulva, vagina, colo de útero e pênis. E filhos de mães com HPV podem desenvolver o vírus na laringe após o parto''.

No Brasil, cerca de 7 mil mulheres morrem anualmente por esse tipo de tumor.